GAROTAS VAMPIRAS NUNCA BEBEM VINHO é o primeiro espetáculo do ano em que a Vigor Mortis comemora 10 anos de existência. O grupo estreou o espetáculo ‘PeeP- através dos olhos de um serial killer’ em 1997 e desde então vem desenvolvendo trabalhos que mesclam técnicas do Grand Guignol com integração multimídia na cena. Além do diretor, Mariana Zanette e leandrodanielcolombo estão no grupo desde a primeira montagem. Além dos três, a nova peça traz no elenco de vídeo outros novos integrantes permanentes da companhia: Rafaella Marques e Carolina Fauquemont, além da atriz convidada Michelle Pucci.

    Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho é um monólogo sem ser um monólogo. Seguindo a linha de encenação da Vigor Mortis o espetáculo mistura teatro e vídeo colocando em cena apenas uma atriz, Mariana Zanette (interpretando Wanda Wozniak) e todos os demais personagens com quem ela contracena estão em vídeo. Mariana sente-se à vontade com este tipo de estética que ela já havia experimentado em Morgue Story- Sangue Baiacu e Quadrinhos, peça pela qual a atriz foi indicada ao Troféu Gralha Azul. leandrodanielclombo também divertiu-se com  o trabalho em vídeo de ‘Garotas Vampiras’ onde ele interpreta seis personagens diferentes. “É como brincar de Peter Sellers”, diz o diretor fazendo referência ao falecido ator britânico que  se dividiu em papéis no filme Dr. Fantástico. “ Mas é claro que essa repetição tem justificativa dramatúrgica”, completa Biscaia.    

    “Esta não é uma peça apenas sobre vampirismo”, diz o diretor Paulo Biscaia Filho, “Um vampiro que se preze nunca é apenas um vampiro. Ele é uma metáfora para outra coisa. Neste caso a busca pelo vampirismo é a representação do medo de envelhecer e morrer.  É uma peça sobre o tempo nos empurrando para nossas covas e nós tendo que fazer alguma coisa para que este percurso seja o mais significativo possível”.

    O diretor diz ter buscado inspiração em diversos lugares. “Existem mais vampiros na história da dramaturgia do que qualquer outro personagem.”, afirma Biscaia, “Claro que busquei mais referências nas figuras de mulheres sugadoras de sangue, como a Vampirella dos quadrinhos e Elisabeth Bathory, aquela húngara louca que tomava banho no sangue de meninas.”

    O diretor porém diz que o texto não deve ser encarado com o um drama. “Como em todas as montagens da Vigor Mortis, deixamos a platéia rir de um assunto sério. Neste caso, eu e a Mariana vamos usar a ‘canastrice com carisma’ no estilo da interpretação. Fizemos o mesmo em Morgue Story. É muito divertido ser um canastra e ter que construir isso com precisão artística. ”, diz o diretor com um sorriso igualmente canastra, “É delicioso realizar isso, ainda mais com uma atriz como a Mariana. Estamos trabalhando juntos há dez anos. Vimos o nosso trabalho crescendo, amadurecemos juntos profissionalmente e hoje temos uma comunicação plena”    

    Outro elemento interessante da dramaturgia da peça é o uso de referências de outras montagens da Vigor Mortis. “ Estamos tentando construir um universo próprio que se comunique entre montagens. O público não precisa desta referência para compreender o texto, mas é divertido ver a reaparição de personagens e  

menções a lugares que usamos em Snuff Games, Morgue Story e Graphic”, completa Biscaia.

 



texto, direção e vídeo:

 Paulo Biscaia Filho

 

elenco:

Mariana Zanette

em video:

 leandrodanielcolombo

Carolina Fauquemont

Michelle Pucci 

Rafaella Marques

 

produção:

Mariana Zanette

Dayana Zdebisky

 

cenário e adereços:

 Aorélio Domingues

 

trilha sonora :

Demian Garcia

 

iluminação:

Rodrigo Cordeiro

 

figurino:

Vivi Follador

 

assistência de direção e operação de dvd:

Dayana Zdebsky

 

caracterização e maquiagem:

Anderson Faganello

 

costura :

Augusta Zanette

 

preparação corporal:

Tonio Luna

 

fotos:

Mariá Sallum (cartaz)

Lucia Biscaia (divulgação)

 

câmera dos videos:

Paulo Biscaia Filho, Léo Crivellari,

 Vivi Follador e Mariana Zanette

 

elaboração de projeto:

Angela Meschino

 

captação de recursos:

Itamar Paciornick

 

programação visual:

 Adriana Alegria

 

assessoria de imprensa:

 Rodrigo Brownie

 

  Garotas Vampiras nunca Bebem Vinho é um monólogo sobre uma vampira amadora interpretada por Mariana Zanette, que também é a proponente do projeto viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

    A montagem conta a história de Wanda Wozniak, uma policial da guarda metropolitana que faz as rondas noturnas em uma área freqüentada por prostitutas, bêbados, assassinos, estupradores e outros criminosos. Por ordem do corrupto chefe de polícia, Wanda vaga todas as madrugadas pela  cidade sem poder prender ninguém. Ela parece não se importar e mecanicamente segue sua rotina dia após dia. Numa noite ela se depara com um bêbado que afirma ser um lobisomem e ele diz a Wanda que ela provavelmente é uma vampira. Precisando dar um jeito em sua vida, Wanda resolve descobrir a verdade e começa a secretamente matar criminosos e sugar o seu sangue. Realizada com a descoberta, a policial não sabe que uma outra vampira está à espreita seguindo seus passos.