arte do cartaz: José Aguiar / fotos: Andrea Paccini

em cartaz

dias 15, 16 e 17/01/10

Teatro da Caixa - Curitiba

 
A companhia Vigor Mortis estreia em 19 de novembro de 2009 sua mais nova produção: MANSON SUPERSTAR. A peça conta a história de Charles Manson que em 1969 ordenou que um grupo de jovens seguidores matasse a atriz Sharon Tate, grávida de oito meses e meio do diretor Roman Polanski. A história que chocou o mundo todo quarenta anos atrás é resgatada pela Vigor Mortis por suas inúmeras peculiaridades. “Quanto mais você pesquisa sobre a história da ‘família manson’ , mais você quer investigar”, afirma o diretor  Paulo Biscaia Filho, “E de fato existem dezenas e dezenas de documentários e livros sobre o assunto. E o que desejamos montar é um documentário cênico. Uma  peça-documentário-musical”. Quem se assustar com a palavra “musical” na expressão, não pense que a Vigor Mortis está se deslocando completamente de gênero. A música entra nesta peça de formas curiosas. “Não estamos fazendo um musical per se. Ou seja, algo onde a música vem de uma dimensão imaginária. Aqui a música entra fazendo parte da cena. Manson queria ser um músico de sucesso e a música está sempre presente em sua vida. Não só não quisemos ignorar este aspecto, mas também desejamos potencializar algo que poderia dar uma nova imagem a esta história.”


Além da música, a peça traz outro elemento incomum: os personagens falam em inglês com legendas em português. “Há poucas falas”, diz o diretor, “a maior parte do que é ‘dito’ , é ‘cantado’, mas o que não é cantado deveria ter a sonoridade do ambiente. Por isso optamos por manter a língua original do material. As palavras não são tão importantes quanto a atmosfera neste caso. Existem citações célebres de Manson, é fato, mas isso pode ficar para o público pesquisar depois do espetáculo. Seria um pleonasmo a gente trabalhar estes elementos aqui.”


Quem mais tem textos é o  ator Leandro Daniel Colombo (De “Cachorro Manco Show”, “Morgue Story” e vencedor do Troféu Gralha Azul por “Pincéis e Facas”) que interpreta o cineasta Roman Polanski, que voltou às manchetes recentemente por conta de sua apreensão na Suiça e possibilidade de extradição para os EUA para ser julgado e preso por ter mantido relações sexuais com uma garota de 13 anos em 1978. Andrew Knoll (ator do premiado curta “Com as Próprias Mãos” e da montagem “Jesus Vem de Hanover”) encarna o carismático e assustador Manson em uma interpretação onde ele literalmente canta, toca, dança e representa. O elenco ainda tem Carolina Fauquemont como Sharon Tate, Wagner Corrêa como Jay Sebring (o ex namorado de Sharon que também foi assassinado junto com ela), e os integrantes da ‘família manson’ Tex Watson, Patricia Krenwinkel, Leslie Van Houten e Susan Atkins que são interpretados respectivamente por Marco Novack, Ana Clara Fischer, Michelle Pucci e Rafaella Marques. O cenário é de Paulo Vinícius e a produção é de Tânia Araújo.


IDOLATRIA


“Essa história me persegue literalmente desde que eu nasci.”, elabora Biscaia,  “Tate estava grávida de oito meses e meio no dia em que foi morta, 9 de agosto de 1969. Eu nasci vinte dias depois. Sempre fiquei fascinado com a história. Em como esses garotos se deixaram levar por um líder como Manson. Em um dos testemunhos Atkins diz que não havia limites para o que ela faria por ele. E foi isso o que aconteceu. Eles mataram pessoas sem absolutamente nenhum motivo e com requintes de crueldade. Escreveram com o sangue das vítimas e desferiram um quantidade absurda de facadas. Só Sharon Tate recebeu 16 facadas, mas seus amigos receberam mais de 50. De onde vem essa idolatria? Que necessidade é essa de idolatrar alguém e fazer tudo o que fossem comandados a fazer?”.


MANSON SUPERSTAR é uma peca que fala exatamente sobre isso : a necessidade de ídolos. O próprio Manson teve como justificativa das mortes uma música dos Beatles (os mesmos que disseram que eram mais populares de Cristo). A canção Helter Skelter, foi interpretada por Manson como uma profecia de uma guerra racial que faria com que todas as guerras terminassem. A sua ‘família’, um grupo de jovens hippies que na maioria fugiram de casa para se juntar a comunidade de Manson, acreditou piamente na tal profecia. “É por isso que a peça tem essa estrutura não de musical, mas quase como de um show de rock. Não importa a qualidade ou a verdade do que o rockstar faz, seus fãs o idolatram cegamente”, explica Biscaia.


As músicas da peça incluem não apenas composições do próprio Charles Manson, como também canções da época e outras mais contemporâneas. “Na seleção musical, não me preocupei com verossimilhança cronológica, mas com o sentido das letras e a atmosfera da música. Para se ter uma idéia eu já começo a peça com um clássico da banda punk Dead Kennedys”.


NOVOS TERRENOS


“O melhor de MANSON SUPERSTAR para mim e a Vigor Mortis é que estamos entrando em novos terrenos. Esta peça não tem nada a ver esteticamente com outras montagens nossas. Para início de conversa, não tínhamos um texto no sentido formal do texto teatral. Eu já escrevi e dirigi textos tradicionais diversas vezes e estava querendo tentar algo diferente. Começamos fazendo uma pesquisa aprofundada da história de Manson/Tate e depois o elenco estava com repertório de sobra para propor cenas. O que eu fiz foi amarrar estas propostas em um roteiro dentro de uma proposta estética com parâmetros claros. No entanto pode-se dizer com certeza absoluta que esta é uma peça ‘de companhia’ e não ‘de diretor‘, se  você tem a necessidade de rotular desse forma. O que mais importa é que a Vigor Mortis está se arriscando por outras linguagens e com isso a gente vai aprendendo e amadurecendo. Isso é gratificante a todos.


MANSON SUPERSTAR é realizada com recursos do Fundo Municipal de Cultura através do Edital de Programação do Teatro Novelas Curitibanas da Fundação Cultural de Curitiba.


A peça entra em cartaz no dia 19 de novembro e segue até o dia 20 de dezembro no Teatro Novelas Curitibanas (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1222). De quinta a sábado, às 21h, e domingos, às 19h. Ingressos: uma lata de leite em pó.


Direção Paulo Biscaia Filho

Direção Musical :Gilson Fukushima

Produção : Tânia Araujo

Iluminação : Wagner Correa

Cenário e Figurinos: Paulo Vinicius

Adereços:Thiago Di Giovanni

Arte do Cartaz: José Aguiar


Estrelando:

Andrew Knoll - Charles Manson

Leandro Daniel Colombo - Roman Polanski

Carolina Fauquemont - Sharon Tate

Wagner Correa -Jay Sebring

Michelle Pucci -Leslie van houten

Marco Novack - Tex Watson

Rafaella Marques- Susan Atkins

Ana Clara Fischer -Patricia Krenwinkel


Ingresso : Uma lata de leite em pó

impróprio para menores de 18 anos